Cortes de bolsas causarão danos irreversíveis à ciência, alertam professores da UENP

Terça, 03 Setembro 2019 16:15 por Assessoria de Comunicação Social
Caso cortes sejam confirmados, UENP perderá bolsas da Capes em nível de mestrado, doutorado e pós-doutorado Caso cortes sejam confirmados, UENP perderá bolsas da Capes em nível de mestrado, doutorado e pós-doutorado

O recente anúncio do Governo Federal de cortes de bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado a partir deste mês de setembro deverá causar danos irreversíveis para a ciência produzida no Brasil, alertam pesquisadores e professores da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP). O Governo, por meio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (Capes) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), prevê ainda cortes de bolsas de Iniciação Científica, Iniciação à Docência e Residência Pedagógica que beneficiam estudantes das graduações das Universidades.

Em termos de fomento, diretamente, a UENP perde bolsas da Capes em nível de mestrado, doutorado e pós-doutorado. E caso se efetive, pelo CNPq, o corte em Bolsas de Iniciação Científica será de 19 Bolsas Pibic, 15 Pibic-EM e quatro de Inovação Tecnológica. Ainda em relação a bolsas vinculadas a Capes, a UENP possui, pelos Programas de Bolsas de Iniciação a Docência (PIBID) e Residência Pedagógica, 536 bolsas, que poderão ser canceladas se o Governo mantiver o corte anunciado para 2020.

A reitora da UENP, professora Fátima Aparecida da Cruz Padoan, manifesta preocupação em relação aos constantes anúncios dos cortes na área da educação, vinculados à CAPES e ao CNPq. “Acompanhamos com extrema preocupação esse anúncio de corte de bolsas que, se efetivado, deverá representar um duro golpe para a ciência e para as Universidades públicas do Brasil. Caso se efetive os cortes, além de prejudicar de maneira severa a ciência, o Governo, de forma velada, acaba por inviabilizar a permanência estudantil nas Universidades públicas. Com isso, a Universidade e a sociedade perdem e frustramos, por hora, nossa luta como Universidade por horizontes melhores para todos os brasileiros”.        

A pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da UENP, professora Vanderléia da Silva Oliveira, acentua que tais cortes irão impactar negativamente no desenvolvimento das pesquisas realizadas pelos programas de pós-graduação e mesmo sobre aquelas em nível de iniciação científica. “Evidentemente, para instituições como a UENP, que está em fase de criação e consolidação de programas, cortes dessa natureza refletem de modo irreversível no desenvolvimento da pesquisa e da pós-graduação, inviabilizando sua expansão científica”, lamenta a pró-reitora.

A pró-reitora de Graduação da UENP, professora Ana Paula Belomo Castanho Brochado, fala em prejuízo gigantesco no âmbito das licenciaturas, caso seja efetivado o corte anunciado. A professora explica que o Residência Pedagógica e o Pibid são programas exclusivos para os cursos de licenciatura. Na graduação, o aluno ainda no início de sua formação, na primeira metade do curso, tem a possibilidade de participar do PIBID, e, na segunda parte do curso, do Residência Pedagógica.

“Ambos os programas são estruturados em projetos em que o aluno tem a possibilidade de imersão no colégio para realizar uma interversão estruturada dentro de seu projeto que é orientado por um professor da Universidade e um do Colégio. Como é um projeto todo estruturado, o estudante acaba tendo uma intervenção significativa dentro da escola. Isso para prática da docência pelo acadêmico é fundamental. Pensar em extinguir essas bolsas seria um prejuízo gigantesco para licenciatura, área que já vem sofrendo muitos desgastes nos últimos anos”, acentua Ana Paula.

O coordenador do programa de pós-graduação em Ciência Jurídica da UENP (mestrado e doutorado), professor Fernando Brito, pontua que se a suspensão do pagamento de bolsas pelo CNPq e pela CAPES se confirmar, haverá um prejuízo irreparável para o desenvolvimento dos programas e projetos de pesquisa, podendo comprometer inclusive aqueles em andamento.

“Os progressivos anúncios de cortes no orçamento do ensino superior, e da ciência e tecnologia, bem como as projeções de orçamento menor no futuro para essa área fundamental para o desenvolvimento humano, social e econômico, causam instabilidade, frustram expectativas legítimas da comunidade acadêmica e abalam a esperança de um futuro melhor para todos", disse Fernando Brito. 

Última modificação: Sexta, 20 Setembro 2019 12:37
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