Dos livros para o palco do EnCena

Quarta, 26 Agosto 2015 16:35

“Esta peça me cheira a sepulcro!”. E foi com esse sentido filosoficamente apurado que o Grupo Delírio Cia de Teatro apresentou-se na noite de terça-feira, 25, trazendo uma atmosfera sombria e bem-humorada ao palco do XI EnCena – Mostra de Teatro de Jacarezinho. O elenco, formando por Diogo Biss, Robysom Souza e Thierry Lummertz, encenou a peça “Memórias Póstumas + Machado de Assis”, baseado na obra do escritor brasileiro Machado de Assis. O público se deliciou com o sabor das reflexões machadianas, sempre afiadas e sarcásticas. Foram 70 minutos de intensas reflexões e apimentadas indiretas, o que valeu a fila que dobrou a esquina do Conjunto Amadores de Teatro (CAT).

O espetáculo encantou pela liberdade poética, fazendo uso de uma tão conhecida sutileza, ironia fina e humor negro presentes em Machado. O sujeito da peça é a criatura humana, com suas imperfeições, sonhos de ilusão e desejos e tudo isso pela boca de um morto, alguém que não poderia mais ser reprimido ou condenado por dizer o que pensa. Esse “defunto autor” (ou um autor defunto?) reflete sobre a morte, sobre a vida, sobre o homem e sua mediocridade, sobre o orgulho e até mesmo sobre a própria ação teatral. A peça surpreendeu o público ao trazer três atores, que por meio da linguagem e da entonação, representaram um único personagem, Brás Cubas.

O diretor da peça, Edson Bueno, elogiado pelo texto fluido e sonoro, salientou que o teatro da palavra não se superficializa. Sobre o fazer teatral e a importância da palavra da constituição do texto cênico, Edson disse que usar a palavra no palco e usá-la com propriedade é um grande exercício interno. “Esse tipo de teatro obriga o ator a pensar, a criar. Tudo isso vem de uma valorização do próprio ator e da linguagem. É preciso dar liberdade ao ator, é preciso promover um exercício de liberdade, o ator é o principal agente da arte teatral”, finaliza

As Mulheres da Rua 23

Quem foi ao CAT, na primeira sessão de terça-feira, 25, deparou-se com uma a trama que se desenvolveu a partir da morte dos respectivos maridos das personagens, as quais se utilizam de pseudônimos para não serem descobertas na denominada “Rua 23” – um lugar cheio normas e com uma atmosfera misteriosa. A ação - presenciou o público - aconteceu em um banco, em meados do século XIX e foi dramatizada com uma pitada de humor e de mistério.

“As Mulheres da Rua 23” é uma dramaturgia de Raphael Miguel, com direção de Carlos Alexandre, tendo seu elenco composto por dois atores: Leandro Bertholini e Leo Campos, que deram vida e movimento à história de duas amigas, Catharina e Jovelina, as quais se encontravam às escondidas todos os dias, no mesmo horário e local, para trocarem confidências e alguns fatos de suas vidas.

Oficina

Durante a tarde de terça-feira, das 14h30 às 17h, foi realizada a oficina “Interpretação e construção de personagens”, no auditório do CCHE/CLCA, na Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP). Ministrada por Edson Bueno, a oficina contou com 20 participantes, que por meio de atividades práticas, discutiu conceitos do teatro e interpretação e refletiu sobre o trabalho e a importância do ator.


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