A última apresentação do espetáculo aconteceu no Campus de Cornélio Procópio, no dia 20 de maio. Os campi de Jacarezinho e Luiz Meneghel, em Bandeirantes, receberam o espetáculo, respectivamente, nos dias 22 e 23 de novembro de 2023. A peça era gratuita e reuniu discentes, professores e servidores da instituição.
Batizada pela autora de “perfomopalestra”, a apresentação aborda diferentes tipos de violências sofridas pelas mulheres, desde a violência simbólica, enraizada na cultura e no cotidiano da sociedade – e que busca anular e objetificar a mulher - até a violência psicológica, a física, a doméstica e o feminicídio. Segundo Marina, a sociedade é muito permissiva com a violência contra a mulher, um problema cultural que ela procura apontar no espetáculo.
“A última ponta é o feminicídio, quando não há mais o que fazer, mas o feminicídio existe porque existe uma coisa anterior, a violência simbólica. A gente precisa combater o feminicídio? Sim, porque é uma epidemia, é uma das principais causas de mortes de mulheres no Brasil. Mas não adianta combater a ponta do iceberg se a sociedade continua reproduzindo todo um discurso que dá base para o feminicídio”, frisa.
A atriz tem o objetivo mostrar que uma violência nunca é individual, ela é social. “Às vezes a gente acha que a nossa história é única e a nossa história é social sempre. Então se eu fui estuprada, isso não é algo único, meu, particular, isso faz parte de uma cultura, chamada cultura do estupro”, lamenta. De cada 10 mulheres entrevistadas para sua pesquisa acadêmica, recorda Marina, nove foram violentadas. A atriz observa que para construir a peça usa muitos dados porque eles são alarmantes, mas ainda sim maquiados, uma vez que nem toda violência é denunciada. A sua intenção é que as mulheres aprendam a reconhecer, se proteger e entender o quanto a violência está enraizada dentro de cada um.