Mesa-redonda discute ditadura e redemocratização

Terça, 12 Abril 2016 10:37 por Assessoria de Comunicação Social
“A cidade de Jacarezinho também sofreu com a repressão e os mecanismos de censura. Em nossas pesquisas, muitas pessoas relataram sobre desaparecimentos de munícipes que praticavam atos 'ofensivos' ao Governo”, relatou Maria Eduarda Yaros, durante lançamento de livro no evento “A cidade de Jacarezinho também sofreu com a repressão e os mecanismos de censura. Em nossas pesquisas, muitas pessoas relataram sobre desaparecimentos de munícipes que praticavam atos 'ofensivos' ao Governo”, relatou Maria Eduarda Yaros, durante lançamento de livro no evento

A Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), Campus de Jacarezinho, realizou, na última sexta-feira (08/04), mesa-redonda com o tema “Ditadura e Redemocratização”, com a participação do professor-doutor Márcio Luiz Carreri, docente do colegiado de História da UENP, da professora-doutora Maria de Fátima Cunha, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), e mediação do professor-doutor Rodolfo Fiorucci, do Instituto Federal do Paraná (IFPR), de Jacarezinho. O evento, sediado no Conjunto Amadores de Teatro (CAT), também tratou do lançamento do livro “Baú de memórias: reminiscências dos idosos nos 30 anos de redemocratização (Jacarezinho)”, fruto das pesquisas realizadas pelas alunas do IFPR, Maria Eduarda Yaros, Vitória Sumaya Tauil, Gabriely Cristina de Souza, coordenadas pelo professor Rodolfo Fiorucci.

A professora Maria de Fátima iniciou a discussão da mesa-redonda explanando sobre o período que antecedeu o Golpe Militar de 1964. Ela explicou como se deu todo o processo de instauração do Regime Militar no Brasil, os mecanismos de censura e opressão, os aspectos da tortura realizada pelos militares, apresentando dados, fontes históricas e documentos comprobatórios, além de refletir, também, sobre o papel do historiador. Para a docente, durante o regime militar, criou-se a ideologia, o pensamento da existência de uma força interna ameaçadora. “A intenção era investigar qualquer ação que se opusesse ao regime ou que tivesse ideias subversivas. Os documentos comprovam que a ideologia que sustentava a repressão eram ideias de 'segurança nacional'. O Estado deveria vigiar as fronteiras do território brasileiro contra a 'ameaça' comunista”, contou.

Em sua fala, o professor Carreri tratou dos mecanismos de censura na cultura brasileira da época, em especial no teatro, que segundo o professor, “apresentava uma potencialidade em mudar o pensamento político”. O professor falou sobre a peça “O Rei da Vela”, escrita por Oswald de Andrade em 1933, mas encenada apenas em 1967, em pleno período de repressão. Para o professor a década de 1930 é utilizada como interpretação dos anos 60. “O rigor da censura na cultura teve a mesma força das ações políticas. Isso fez com que houvesse muitas tentativas de aniquilação das encenações teatrais e de toda manifestação cultural tida como subversiva e contrária às ideias do Governo, como aconteceu com a peça ‘Roda Viva’, do Chico Buarque, a qual o cenário foi depredado e os artistas agredidos por um grupo de pessoas ligadas ao ‘Comando de Caça aos Comunistas’”, contou o professor.

“Diferentemente, não estava o capitalismo ou o imperalismo em contraposição ao comunismo, porque isso seria adentrar debates no campo político e filosófico, mas o que se tinha como oposição ao comunismo era a família 'ideal', de modelo patriarcalizado em pilares morais, como o casamento. O casamento, por sua vez, ajudaria a manter a ordem social, reforçaria o patriarcado, a disciplina e a hierarquia, alimentando um desejo anti-comunista cada vez maior”, salientou o professor. Ele conclui, enfatizando, que “nesse sentido, o general-presidente representaria, em sua força simbólica, o pai da família barsileira, e o comunismo, de algum modo, representaria o colapso dos marcos estruturais do casamento, a destruição do modelo ideal, por isso a ideia comunista precisava ser confrontada”.

Mais de 350 pessoas prestigiaram o evento, que reuniu professores, funcionários, acadêmicos da UENP, do IFPR, além de alunos e professores da educação básica de colégios da região. Isabella Reis Caproni da Silva, acadêmica do primeiro ano de História na UENP, partilhou que o evento foi de extrema importância para se compreender mais profundamente o assunto.“A Mesa não apenas discutiu questões relativas ao período da Ditadura no Brasil, mas nos fez refletir sobre fatos recentes e também sobre a atual conjuntura política do nosso país. Entender o passado e analisar o presente é muito importante para podermos construir nosso futuro”, destacou a estudante.

Lançamento de livro

Durante o evento, foi lançado o livro “Baú de memórias: reminiscências dos idosos nos 30 anos de redemocratização (Jacarezinho)”, das estudantes do curso técnico do IFPR, de Jacarezinho, sob coordenação do professor Rodolfo. A obra resgata a memória da ditadura nas cidades do interior, a partir de depoimentos e experiências de idosos jacarezinhenses. Segundo Maria Eduarda, a ditadura não ocorreu apenas nos grandes centros. “A cidade de Jacarezinho também sofreu com a repressão e os mecanismos de censura. Em nossas pesquisas, muitas pessoas relataram sobre desaparecimentos de munícipes que praticavam atos 'ofensivos' ao Governo. A própria Faculdade de Filosofia, na época chamada de Fafija, recebia, constantemente, cartas e avisos direcionados a alunos e professores que se expressavam de forma subversiva ao governo”, relatou a estudante.

Última modificação: Terça, 12 Abril 2016 11:02
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