Numape realiza “16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher”

Quinta, 05 Dezembro 2019 16:58 por Editor da Comunicação Social
Integrantes do NUMAPE se reuniram com a membros do Instituto Federal do Paraná (IFPR) durante a campanha "16 dias de ativismo contra a violência contra a mulher" Integrantes do NUMAPE se reuniram com a membros do Instituto Federal do Paraná (IFPR) durante a campanha "16 dias de ativismo contra a violência contra a mulher"

O Núcleo Maria da Penha (Numape) da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) promoveu ao longo do mês de novembro a campanha “16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher”. Ao todo, nove ações atingiram um público de centenas de pessoas de várias idades e de ambos os sexos na cidade de Jacarezinho e em outros municípios da região.

A primeira ação intitulada “Numape nas escolas” foi realizada no Centro da Juventude, em Jacarezinho, no dia 5. Os jovens participaram de uma dinâmica que mostrou como é a violência doméstica na vida real, utilizando vídeos de relatos das mulheres que já sofreram esta violência, além de outra produção audiovisual que mostrava o desespero em se fazer a denúncia.

“Essa proposta foi feita com o intuito de enfatizar a importância da denúncia e principalmente da conscientização para que as mulheres possam se proteger e para que os homens não pratiquem essa violência contras  mulheres futuramente”, conta a advogada do Núcleo, Layana Laiter. No dia 12, também no Centro da Juventude, foi desenvolvida uma aula criativa com os jovens, na qual foi trabalhada uma dinâmica sobre o preconceito no dia a dia, de forma real. Este ato teve retorno crítico e construtivo com o intuito de mostrar as formas para acabar com o preconceito.

No dia  6 de novembro, o Núcleo promoveu uma ação para incentivar a independência financeira das mulheres vítimas de violência assistidas pelo projeto. O Numape realizou uma oficina de preparo de bolos de pote no salão paroquial da Catedral de Jacarezinho, ministrada voluntariamente por Jurandir Ferreira de Paiva Júnior, servidor da biblioteca do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA) da UENP, que já trabalhou como confeiteiro.

No dia 19 de novembro, as advogadas Isabele Duarte e Layana Laiter visitaram o Colégio Estadual Vera Cecília Lamin, onde trataram sobre sobre gênero e feminismo pela ótica do filme Mulan: o esteriótipo da “princesa”. Houve contação de histórias para crianças do 5º ano do Ensino Fundamental a fim de abordar estas questões principalmente em relação ao esteriótipo da beleza e dos padrões estabelecidos socialmente para o gênero feminino.

“É interessante observar que, embora o filme Mulan, da Disney, tenha sido lançado em 1988, ele continua atual e mostra uma realidade dos dias atuais. A luta de Mulan é para proteger o pai que estava impossibilitado de ir à guerra, no entanto, isso fez com que ela fosse a mulher que enfrentou o conservadorismo de uma dinastia e mais do que isso, passou por um processo de autoconhecimento para compreender porque não se enquadrava nos padrões femininos estabelecidos”, afirma a adovgada Isabele Duarte.

Já no dia 20 de novembro, o Numape levou até o colégio Rui Barbosa a palestra “Feminismo negro e o nó de Saffioti: a história de  Angela Davis e necessidade da interseccionalidade”, além da peça “Mulher livre, batom vermelho”, apresentada pelo grupo Teatro do Quatiatro, de Quatiguá. O evento foi realizado em homenagem ao dia da Consciência Negra, que marca oficialmente o início dos 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher.

“É essencial abordar o Feminismo Negro e o NUMAPE já realizou outros eventos com este intuito. Em virtude de ser realmente indissociável devido ao nó de Saffioti, que diz existe um nó entre gênero, raça e sexo, sendo indissociável um do outro, é visível por meio de estatísticas que a realidade da mulher negra é diferenciada no que concerne à violência doméstica e familiar contra a mulher”, comenta a estagiária Hikari Suguimoto.

A campanha também chegou ao evento Balaio Cultural, promovido pelo Campus Jacarezinho do Instituto Federal do Paraná (IFPR), com a ação “O patriarcado refletido nas músicas e violência contra a mulher: Frida já se foi mas pediu pra representar”, abordando a existência do Patriarcado e demonstrando através de músicas a temática da violência doméstica e familiar contra a mulher.

“É primordial realizar oficinas para atingir esta faixa etária de jovens para conscientização, prevenção e até mesmo identificação de casos precoces, caso existam. Além de ser fundamental para refletir sobre a música, que tem muito poder na sociedade em que estamos inseridos”, argumenta a estagiária Vitória Sumaya.

Com altos índices de feminicídio a nível regional, a cidade de Quatiguá também recebeu uma ação da campanha pelos “16 dias de ativismo” no dia 21 de novembro. As integrantes do NUMAPE apresentaram palestra para proporcionar à comunidade o aprendizado sobre a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), que cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Tratou também sobre a cultura machista que vivenciada nos dias atuais.

No dia 26 de novembro, o Numape voltou ao Centro da Juventude de Jacarezinho para desenvolver  uma dinâmica, a fim de conscientizar sobre o que é violência doméstica e familiar contra a mulher, mas principalmente para que buscassem formas de enfrentar e coibir esta realidade. “O resultado da dinâmica aplicada nas escolas foi enriquecedor. Foi possível ver formas de enfrentar e coibir a violência pelos olhos destes jovens, que compreendem que é necessário o respeito, a conversa e que a mulher se valorize, em primeiro lugar. Dessa forma, propagaram que a violência contra a mulher não deve ser tolerada”, acrescenta a psicóloga Fernanda Cristina.

As integrantes do Numape visitaram o Colégio Elo para tratar do tema “O relacionamento abusivo frente a desigualdade de gênero: a atuação do NUMAPE/UENP em Jacarezinho”, durante o Evento Café Consciência, realizado pela instituição de ensino. Na ocasião, as profissionais do Núcleo trataram da desigualdade de gênero e a violência simbólica contra a mulher, além da naturalização da violência contra a mulher. Foi realizada a exposição dos aspectos jurídicos da Lei 11.340/2006 e a história de Maria da Penha Maia Fernandes, que deu nome à lei.

Por fim, o Numape realizou a “Semana da Paz em Casa”, em conjunto aos 16 Dias de Ativismo. O Programa Justiça pela Paz em Casa é promovido pelo CNJ em parceria com os Tribunais de Justiça estaduais e tem como objetivo ampliar a efetividade da Lei Maria da Penha, concentrando esforços para agilizar o andamento dos processos relacionados à violência de gênero. “A Semana da Paz em Casa é muito importante, pois que atende às expectativas das mulheres em situação de violência doméstica para julgar os autos, de maneira mais rápida e ágil e de concentrar esforços para sensibilizar a sociedade para a realidade estarrecedora que as mulheres vivenciam”, conclui a advogada Layana Laiter. 

Última modificação: Sexta, 06 Dezembro 2019 10:34
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