Alunos e professores de Educação física realizam protesto contra curso à distância

Sexta, 16 Agosto 2013 18:06 por Assessoria de Comunicação Social

Alunos e professores do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), campus Jacarezinho, realizaram, na sexta-feira (02/08), um evento de repúdio a cursos de Educação Física à distância, modalidade de ensino que tem se tornado comum no Paraná e também no restante do Brasil. De acordo com professores da UENP, os cursos EAD nessa área não são capazes de atender minimamente a necessidade de formação do estudante, mesmo com aulas esporadicamente presenciais, pois o curso de Educação Física, segundo eles, é eminentemente prático.

 O objetivo do evento, conforme salienta o professor Fábio Antônio Néia Martini, diretor do CCS, foi conscientizar os acadêmicos, seus familiares e a população em geral sobre os problemas que a modalidade EaD pode gerar ao curso de Educação Física, afetando diretamente a atuação do futuro profissional. Isso ocorre, conforme pontua o professor José Coelho Neto, devido ao caráter prático que o curso possui.

"Cada profissão ou licenciatura tem as suas particularidades. A Educação Física é essencialmente prática. Basta observarmos a atuação do profissional na escola, por exemplo. O aluno passa a semana inteira esperando as aulas de Educação Física pelo fato de ser uma atividade prática. A teorização da Educação Física descaracteriza a disciplina, que pela prática é formadora de cidadãos", afirma o professor Neto. O professor Rui Gonçalves Marques Elias ironiza: "Educação Física à distância é igual fazer um churrasco por web conferência".

Claudinei Ferreira dos Santos, vice-coordenador do curso de Educação Física comenta sua preocupação com a oferta de cursos EAD na região de abrangência da UENP. "Não creio que cursos EAD sejam capazes de atender a necessidade de formação de um aluno. Além disso, a relação de ensino mais humana é quase que totalmente desfigurada nessa modalidade de ensino. Algo que na Educação Física (como em qualquer outro curso da área da saúde) é muito importante". O professor disse, contudo, que esse ainda não é o único e principal problema.

Ele lembra ainda a redução gradual de procura pelos cursos de licenciatura na UENP, embora isso ainda não tenha comprometido o curso de Educação Física da Instituição. "Outros cursos de nossa IES sofrem grande dificuldade para fechamento de turmas nos inícios dos anos letivos até por conta dos cursos EAD oferecidos pela UEPG na região. Imagino que isso também poderá ocorrer com a Educação Física".

O vice-reitor da UENP e professor de Educação Física, Rinaldo Bernardelli Junior, também critica cursos EAD na região e lembra que cidades como Ibaiti, Siqueira Campos, Wenceslau Braz e, agora, Jacarezinho, dentre outros municípios já tem oferecido o curso à distância.

Rinaldo comenta que não é por falta de profissionais ou opção de curso presencial que se tem criado os cursos EaD. "Eu só vejo uma coisa: a comercialização. Estão fazendo deste e de outros cursos, comércio, sem se preocupar com a qualidade. Educação Física é um curso eminentemente prático. Dão o apelido de semipresencial. Não tem como fazer um curso de Educação Física sem aula prática". Professor Rinaldo diz ser veementemente contra os cursos de Educação Física EaD, mesmo que eles tenham sido reconhecidos. "Esses cursos podem ser legais, mas não são morais em minha opinião".

A discussão gerada no protesto ganhou espaço nas redes sociais. Um grupo criado no Facebook: "Curso de Educação Física a Distância, NÃO, VERGONHA!!!" já conta com mais de 820 membros. Dentre os posts, está o comentário de Michel Zaparoli, estudante de Educação Física presencial. "Como aluno do curso de Educação Física e estagiário na área, sei que ninguém pode se tornar um bom profissional sem a prática nas aulas e pior, não vai poder passar um conhecimento adequado aos seus alunos sendo que não vivenciou o fato". Michel desabafa: "É terminantemente inaceitável para quem estuda ou estudou Educação Física (presencial) e muitas vezes se deslocou para outra cidade em busca de uma boa faculdade competir com um profissional parasita. Isso não existe, ou pelo menos não deveria existir. Profissionais e futuros profissionais da área, vamos acordar!" Elisangela Moura Araujo, também desabafa: "Que absurdo! Onde já se viu isso. Por que não colocam medicina à distância também. Aí quero ver quem vai querer ser atendido por um profissional desses!".

William Bilches

Última modificação: Sexta, 29 Novembro 2013 10:30
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